Panes e instabilidades ainda atemorizam os internautas

São Paulo, (AE) - Durante as 2 horas e meia em que o Gmail ficou fora do ar há duas semanas, a rotina foi quebrada em todo o mundo. Não só por causa dos e-mails, mas dos arquivos anexados a eles, dos documentos e contatos.
Mesmo sendo uma pane menor do que um apagão elétrico, o estrago retomou a dúvida: se hoje já há riscos em guardar arquivos na internet, como será quando tudo for online, incluindo o sistema operacional?
Desde que espaço de armazenamento deixou de ser um problema, contas de e-mail, perfis no Orkut, no Flickr, no YouTube, etc. passaram a guardar toda nossa vida online dos últimos 5 anos, quando a maior parte dos serviços foi criada. E ninguém se preocupou. Pois o americano Morgan Tepsic, 20 anos, viu tudo desaparecer quando recebeu um e-mail do Flickr dizendo que suas mais de 4 mil fotos haviam evaporado. Um hacker apagou tudo. O caso dele virou notícia em agosto, nem tanto pela invasão perversa, mas porque as pessoas se deram conta que o Flickr não guardava cópias. "A falta de backup nem acho tanto problema, mas eles deveriam ter avisado que alguém estava tentando deletar minha conta", disse.
Como Morgan, os internautas percebem que não dá para contar com a segurança dos dados. Como saber onde estão armazenados? O banco de dados está bem protegido? E sempre haverá o risco de o serviço sair do ar.
Para Nicholas Carr, autor de "A Grande Mudança" (ed. Landscape, R$ 48), um dos livros mais influentes sobre as consequências de um mundo todo online, sites que não investirem em segurança, estabilidade e transparência vão sumir. Em entrevista por e-mail, Carr afirmou: "A computação em nuvem transforma computação em um serviço tão utilitário quanto a eletricidade. Sempre que um novo sistema utilitário complexo é desenvolvido aparecem falhas. O perigo dessas falhas é que envolvem dados importantes e pessoais." Vamos depender cada vez mais da nuvem, que terá de se provar segura.