A telefonia celular resiste bem à atual crise econômica, enquanto as exportações de bens e serviços ligados às tecnologias da informação e comunicações (TIC) mostra uma tendência oposta, com um marcado arrefecimento da atividade.
Assim revela um relatório publicado hoje pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, em inglês) sobre as tendências e perspectivas na economia da informação.
A indústria de semicondutores registrou uma redução de receita, assim como os fabricantes de computadores e de outros produtos eletrônicos de consumo e equipamentos de comunicação.
No entanto, a previsão a médio e longo prazo é que o setor terá uma melhora, porque as empresas precisam se modernizar para se tornarem competitivas.
Segundo o organismo técnico da ONU, a redução das exportações parece ter sido sentida especialmente nas economias que já vinham experimentando uma estagnação ou queda, como as da Alemanha, Estados Unidos e Japão.
Os especialistas acham que a crise acelerará as mudanças no mercado de bens de TIC e que, neste contexto, as economias emergentes da Ásia consolidarão sua fração de mercado.
Sobre as exportações de serviços de informática, a análise indica que haverá uma maior diversificação geográfica em um subsetor no qual a Índia é o líder indiscutível, com 55% da parcela de mercado mundial.
Apesar de os cinco principais exportadores - Canadá, China, Filipinas, Índia e Irlanda - produzirem mais de 80% das exportações de serviços informatizados descentralizados, há novos exportadores que vão ganhando terreno, e África, América Latina e Caribe são considerados atraentes.
Mesmo este setor tendo suportado relativamente bem a crise, o relatório da Unctad considera que, na medida em que a recessão aumentar, também crescerá a pressão para reduzir os custos no setor privado, o que estimulará o deslocamento de serviços para lugares mais baratos.
Por outro lado, a crise parece não ter tido impacto grave na área da telefonia celular, onde o número de novos clientes continua aumentando, principalmente nos dois principais mercados para esse produto no mundo em desenvolvimento: China e Índia.
Esta tendência ganha força na medida em que os telefones celulares estão substituindo cada vez mais as linhas fixas nos países em desenvolvimento, segundo o relatório.
Em relação ao uso da internet, a Unctad afirma que mais da metade da população dos países desenvolvidos está conectada, frente à taxa de 15% nas nações em desenvolvimento.
Desde 2003, as maiores melhorias em penetração da internet foram registradas em Andorra, Argentina, Letônia e Colômbia, segundo os dados do organismo.
O que preocupa os especialistas, como pode ser percebido pelo relatório, é o aumento da disparidade no acesso à conexão à internet em alta velocidade (banda larga) e, para ilustrar esta situação, indica que a Austrália, um país com 21 milhões de habitantes, tem mais assinantes desse serviço que em toda a África.
O fato de uma pessoa que mora em um país desenvolvido ter, em média, 200 vezes a mais de chances de ter acesso à internet em alta velocidade, em comparação a um habitante comum de um país menos desenvolvido, também ilustra essa disparidade.
Leia na fonte:
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1350759-5602,00-CRISE+AFETOU+PRODUCAO+DE+BENS+E+SERVICOS+DE+TELECOMUNICACOES+DIZ+UNCTAD.html
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