Convergência Digital
Luís Osvaldo Grossmann
Enquanto bancos e operadoras de cartões de crédito ainda discutem um plano de negócios integrado para utilizar os celulares como meio de pagamento, a Oi Paggo – parceria da operadora Oi com a financeira Paggo – anunciou nesta sexta-feira, 16/10, no Futurecom 2009, que a partir do primeiro trimestre do próximo ano ampliará a modalidade de uso dos aparelhos para serviços de crédito pré-pago.
Pelo sistema, os clientes poderão depositar antecipadamente a quantia que desejarem, e o valor ficará disponível para transações com os telefones celulares. “Não é exatamente nosso modelo atual, semelhante a um cartão de crédito, mas sim um sistema em que os clientes podem usar a rede de recargas para depositar créditos que serão utilizados em suas compras com o celular”, explica o diretor geral da Oi Paggo, Roberto Rittes Silva. Na prática, é como possuir uma carteira eletrônica.
Rittes acredita que o sistema da empresa já oferece segurança e comodidade aos clientes. “Nunca tivemos problemas de clonagem, como acontece com os cartões”, afirmou. Mas no debate sobre a convergência de serviços financeiros através de comunicações móveis, realizado na Futurecom, os bancos ainda se mostraram desconfiados quanto à disseminação dessa forma de pagamento.
“Se tivermos problemas de vulnerabilidade no início, será difícil provar para a população que essa é uma opção segura”, disse o diretor geral de tecnologia do Bradesco, Maurício Machado de Minas. “Não se trata apenas de saber que é seguro, mas de passar para o cliente essa sensação de segurança”, emendou o vice-presidente de tecnologia do Banco do Brasil, José Luis Salinas.
Para os bancos, um sistema massificado de uso dos celulares como meio de pagamento exige conveniência, usabilidade e segurança dentro de um modelo de negócios compartilhado por todas as instituições financeiras. “Precisamos de um modelo integrado, com bancos, operadoras e adquirentes [as operadoras de cartões de crédito], para termos padronização e interoperabilidade”, defendeu Salinas.
E apesar do otimismo do diretor geral da Oi Paggo sobre a segurança do sistema utilizado, as instituições financeiras ainda não se sentem tranquilas para massificar esse tipo de facilidade. “Em termos de segurança e fraudes, ainda precisamos cumprir algumas etapas para garantir que ´eu sou eu´", sustentou o presidente da Serasa Experian, Francisco Valim.
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