Panorama de telecom no Brasil

 

 

por Pedro Luiz Roccato*

25/09/2009

Especialista analisa números divulgados pela Cisco; no primeiro semestre, 20% dos acessos à internet foram feitos por aparelhos móveis

Segundo estudo divulgado pela Cisco, o número de usuários de banda larga no Brasil cresceu 16% no primeiro semestre de 2009 e chegou a 13,6 milhões de usuários em junho.

Além do índice de crescimento elevado, em um momento de retração do PIB de 1,5%, merece destaque o fato de 20% do acesso ter sido realizado através de serviços de internet móvel, como pela telefonia celular, utilizando tecnologia 3G disponibilizada pelas operadoras, o que representa 2,7 milhões de usuários com conexões via celular ou modem 3G.

Se considerarmos o volume de venda de novos clientes, o acesso 3G já representa um terço do volume total de novos assinantes, o que demonstra seu vigor. Quando analisamos os números apresentados sob a ótica das operadoras, a telefonia fixa lidera o setor, com 52% do total de acessos de banda larga, seguido da TV a cabo com 28%.

Como tendências desse mercado, podemos apontar o acelerado crescimento do número de usuários de banda larga através de dispositivos móveis (smartphones, PDAs, notebooks e netbooks e outros), elevação da competição entre as operadoras de telefonia fixa e de TV a cabo na oferta dos serviços combinados conhecidos como triple pack (internet, voz e TV), como também no processo evolutivo de canais indiretos, que irão focar de forma mais intensa na oferta de soluções de comunicação unificada para as empresas de grande porte e para o SMB/PME.

A elevação no número de devices conectados à rede de telefonia fixa poderá ocasionar, nos próximos anos, uma verdadeira pane na rede de telefonia móvel, pois o tráfego de dados consome muito mais banda que os serviços de voz, o que demanda investimentos elevados em infra-estrutura de rede nos próximos anos, talvez até meses, para suportar a elevação agressiva da demanda como temos acompanhado.

Outra preocupação com relação à infra-estrutura das redes está relacionada à rede de telefonia fixa, vistos os problemas enfrentados este ano pelos usuários da Telefonica, especialmente em relação ao Speedy. Percebemos uma resposta tardia da Telefonica quanto às investidas da Net na oferta do triple pack, o que ocasionou elevação na taxa de churn (mudança de clientes de uma operadora para outra).

Tenho como referência a mudança dos números de telefone residencial de diversos conhecidos, que migraram de operadora. Felizmente, temos uma agência reguladora atenta aos movimentos do mercado, como a Anatel, que tem agido em defesa dos consumidores lesados.

Quanto ao mercado de telefonia móvel, cabe destacar movimentos de fuga do subsídio de aparelhos que deve ser intensificado, mas ainda passará por dificuldades, uma vez que a competição é elevadíssima e há a dúvida quanto a qual operadora optaria por mudanças radicais em seu modelo de oferta de seus planos de serviços, hoje tangibilizados pelos dispositivos móveis como aparelhos celulares, smartphones e, recentemente netbooks.

No caso específico dos netbooks, temos acompanhado ofertas dos aparelhos, além de smartphones, como meio de retenção de clientes por períodos superiores (12 meses), o que dificulta ainda mais o movimento intencional de redução da oferta de produtos subsidiados atrelados aos planos de serviços das operadoras.

Por fim, cabe reforçar a oportunidade de preparação dos canais indiretos para a oferta unificada de voz e dados, aderentes à estratégia dos fabricantes e operadoras de telecom de comunicações unificadas.

Temos acompanhado em nossos projetos, consultoria e treinamentos para canais, que há ainda considerável resistência dos canais típicos de voz para a oferta conjugada de dados, como também dos canais típicos de dados para a oferta de voz.

Acredito que este movimento não terá volta e que caberá aos fabricantes e operadoras fomentarem iniciativas de apoio aos canais para que estejam preparados e seguros para sustentar a argumentação relativa à unified communication junto aos clientes finais.

Afinal, ainda temos considerável distanciamento dos canais de TI quanto às ofertas de Telecom, que ocasiona uma tremenda dispersão de energia, uma vez que a sinergia e complementaridade entre as soluções são inegáveis.

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