Redes Ultra Banda larga no Brasil – por quê?
Foad Shaikhzadeh
Diretor-presidente da Furukawa Industrial S/A
Tem se discutido intensamente o projeto nacional de banda larga brasileiro. Porém, a própria definição de banda larga passou a ser questionada, devido às divergências do conceito, pelos técnicos no mundo. No Brasil Banda Larga, segundo definição da Anatel, é qualquer conexão permanente e/ou com velocidade de transferência de dados superior a 128 Kbps. Por outro lado a UTI (União Internacional de Telecomunicações) define taxas de pelo menos 2 Mbps.
Por que isto é importante? Muitos países chegaram à conclusão de que redes de banda larga baseadas nas velocidades atualmente disponíveis comercialmente não serão suficientes para as aplicações futuras, ocasionando perdas de competitividade das empresas, das pessoas, etc. Nos países desenvolvidos as discussões atuais se referem a redes de Ultra Banda larga. A definição também é divergente, mas todos têm em comum que serão necessárias, em curto prazo, redes com taxas de pelo menos 100 Mbps.
É inevitável o crescimento da largura de banda. Não precisamos ser um futurólogo para prever que daqui a cinco anos as redes com as velocidades atuais estarão ultrapassadas. O grande valor da largura de banda é que ela irá nos possibilitar fazer coisas de forma totalmente diferentes com os computadores, vídeo, televisão, etc. Há dez anos ninguém imaginaria que o “You Tube” ou serviços similares seriam um sucesso e nem que pudessem existir devidos às limitações tecnológicas da época.
A tecnologia mais adequada para uma rede de Ultra Banda larga é sem dúvida a baseada em Fibra Óptica, pois ela já se tornou uma realidade e é competitiva em custo, diferentemente do que as pessoas imaginam. Existem mais de 40 milhões de assinantes utilizando redes FTTH (Fibra Até a Casa) e vários são os projetos de redes nacionais com incentivo de governos – Coréia do Sul, Japão, Austrália, etc.
A Fibra Óptica é considerada como o alicerce do sistema de telecomunicações mundiais, a evolução de tecnologias de fibras ópticas insensíveis a dobramento e curvaturas permitiu que estes produtos fossem aplicados em residências como se fossem cabos metálicos. Mas o ponto principal é que a rede de Fibra Óptica irá suportar os serviços futuros por longo período, pois ela não depende de liberação de espectro, não precisa pagar licenças de uso, e tem uma banda ilimitada.
Mas, o que impede a aplicação do FTTH em grande escala no mercado brasileiro? Especialistas divergem quando se fala do retorno do investimento em uma rede FTTH no curto prazo, pois os investimentos necessários são da ordem de bilhões de dólares. Por outro lado, o gerador de caixa das empresas de Telecom é a receita de telefonia fixa que está diminuindo com a concorrência da telefonia celular e cada vez mais a empresa tem ficado dependente de receitas adicionais oriundas de serviços de banda larga.
Como resolver o dilema da rede atual não suportar serviços futuros que serão geradores de caixa? Como compatibilizar a estratégia em função do surgimento de serviços que irão demandar banda e a rede atual não suportar o serviço e o cliente acabar migrando para o concorrente que estiver fornecendo banda maior? A resposta talvez esteja em rever os planos de negócio não apenas se baseando no histórico do passado, mas considerando o potencial risco e benefício que todo pioneiro de uma nova tecnologia tem pela frente.
Fonte: http://www.teleco.com.br/emdebate/foad02.asp
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