Ana Paula Lobo
Convergência Digital
Em entrevista exclusiva ao Portal Convergência Digital, o presidente do Portal Terra, Paulo Castro, revelou sua irritação com as declarações da Abert, entidade que defende os radiodifusores, na Audiência Pública que discutiu a possibilidade de aplicar ou não aos portais Internet à restrição ao capital estrangeiro, realizada na Câmara, nesta quarta-feira, 11.
"Há desinformação sobre o que é a Internet", disse. O embate trouxe à tona também uma divisão no segmento. Castro deixou claro que a Abranet não representa mais os seus interesses neste tema. "Não há condição de uma Associação que foi nos representar na Audiência Pública, não tome uma posição porque há conflito entre os associados. Foi acertado que a Abranet falararia por nós e eles não falaram. Então, não autorizamos mais a Abranet como nossa porta-voz no caso", declarou Castro.
Segundo ele, o debate sobre o tema está apenas no começo e, a partir de agora, o Terra e outras empresas, cujos nomes não foram revelados pelo executivo, vão buscar outras entidades ou vão articular estratégias próprias para defenderem suas posições. "O debate é aberto e deve ocorrer, mas com todos se posicionando", reiterou.
O presidente do Terra reagiu às declarações do advogado da Abert, Luis Barroso, que insistiu em inserir a Internet no artigo 222, que trata da Radiodifusão e de empresas jornalísticas. "Internet não tem grade. Internet não tem limitação. Internet não é Radiodifusão. Não é jornal. Os exemplos dados (touradas no lugar de jogos de futebol) podem ser considerados pitorescos, mas na verdade, buscam gerar confusão e ampliar a desinformação sobre o que é a Internet".
Castro admite que a discussão sobre a presença do capital estrangeiro nos portais Internet é consequência direta do PL 29, que abre o mercado de radiodifusão para as operadoras de Telecomunicações. O presidente do Terra, no entanto, assegura que a tecnologia evoluiu e há, sim, a convergência de mídias. Além disso, atesta, o Terra não cobra pelo conteúdo exibido. A receita advém da publicidade. Assim como, detalha, negocia diretamente com os produtores de conteúdo.
"Temos acordos de distribuição de conteúdo com os produtores como Sony, Warner, Disney. Eles estabelecem as regras. Nós pagamos pelo que veiculamos. O Terra não faz pirataria, nunca fez ", afirma Castro. O contrato do portal prevê, por exemplo, a exibição praticamente simultânea às da TV Paga. "Isso está no acerto firmado com quem faz o conteúdo", insiste.
O executivo observa que no caso das Olimpíadas de Pequim, por exemplo, quando as TVs optaram por transmitir os eventos de maior interesse - futebol, volei, ginástica olimpíca - em função das suas grades - O Terra chegou a fazer 13 transmissões simultâneas. "Foi um sucesso porque houve liberdade de escolha para o consumidor. Foi uma opção a mais para o interessado em ver o evento", completou.
Fonte: http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=20969&sid=4
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